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Prêmios literários, clubes do livro e a relevância do autor

Boletim Lunar

No momento de envio dessa edição, a lua se encontra no crescente giboso, com 80% da superfície visível, passeando pelo signo de Touro. A maré está subindo, próxima de atingir a altura máxima do dia no Porto do Rio de Janeiro às 11:24.

Luas e Marés - 12/2025

Hoje em Luas e Marés

Reflexões, agradecimentos, e novidades para 2026.

A hora da estrela

Sim, essa é mais uma newsletter emocionada porque eu não sei fingir costume. Estamos chegando ao final de 2025 e a essa altura no ano passado eu estava apavorada achando que não ia dar conta de tudo que eu precisava fazer nesse ano: terminar dois livros, publicar um deles, e o pequeno detalhe de parir minha primeira filha. Estamos chegando ao final de 2025 e eu não apenas sobrevivi a tudo isso, como vivi e prosperei de formas inesperadas. A verdade é que, literariamente falando, apesar de estar no meu segundo lançamento eu ainda me sinto como se fosse apenas três oceanógrafas dentro de um sobretudo fingindo que são uma escritora adulta. (Ou, mais precisamente, três baleias dentro de um sobretudo fingindo que são uma escritora humana.)

Há pouco mais de um mês Feras foi publicado no mesmo dia que Garras completou um ano de lançamento. Numerologia, alinhamento dos astros, excelente timing editorial da Rocco, ou um pouco de tudo isso. O que importa é que dia 31/10 agora é tipo um Natal particular, tenho muito a comemorar e refletir, e agradecer porque isso é parte do espírito natalino também. Livros são o que são porque são lidos por muitos alguéns que pegam aquela história que o autor escreveu e transformam em algo maior. Eu passei a maior parte da vida sendo um dos alguens do lado de lá, e agora do lado de cá, humildemente ofertando meu conjunto de palavras e histórias, ainda considero muito nova a sensação de ver algo que eu criei recebendo qualquer tipo de reconhecimento — desde as mensagens singelas de ‘adorei seu livro’ até métricas mais relativas como as estrelinhas do site de vendas ou premiações literárias.

E aí, enquanto eu estou vivendo os primeiros suspiros de Feras, colhendo os primeiros contrastes entre minhas expectativas e a realidade, Garras passa pra finalista do Prêmio Argos. E não satisfeito, Garras vai lá e ganha o Prêmio Argos. Meu romance de estreia ganhou um prêmio. Meu romance de estreia que conta a história de uma bruxa vingativa e um lobisomem mafioso ganhou um dos mais tradicionais prêmios literários para livros de ficção especulativa no Brasil. Estou repetindo isso várias vezes pra ver se cai a ficha.

O Brasil tem alguns prêmios literários, alguns mais conhecidos que outros. Se você escreve e almeja publicar, provavelmente conhece todos ou pelo menos a maioria. Se você está aqui como leitor ou apoiador do meu trabalho, talvez não conheça tantos. Esse é um assunto delicado, autores não gostam de parecer egocêntricos recalcados criticando algo que não ganharam, mesmo quando críticas ao sistema são válidas e construtivas. Mesmo quando todo mundo sabe que nem sempre “o melhor livro” é finalista ou mesmo ganhador, mesmo quando todo mundo sabe que livros excelentes são muitas vezes ignorados apenas por ocuparem um gênero literário que é considerado intelectualmente menor. Sim, estou falando sobre como a fantasia, a ficção científica, (até) o horror e, principalmente, o romance romântico (e aqui estou falando de romances de verdade, que fazem a gente suspirar e remexer os dedinhos do pé, não estou falando de histórias de amor com algum componente trágico), geralmente são esquecidos nos grandes prêmios como o Jabuti e o São Paulo, por exemplo. Como eu disse, premiações são relativas. Mas elas cumprem um papel.

As premiações anuais são uma forma de celebrar a produção nacional feita aqui dentro pra nossa gente. As premiações dizem aos leitores: olha, nós também escrevemos coisas boas. Elas também informam não apenas o que temos criado aqui e agora, mas o que as pessoas por trás delas consideram digno de nota e marcam na história o que nossos intelectuais valorizaram no período. Premiações são testemunhas enviesadas da nossa literatura. Daqui a vinte ou trinta anos quando olharmos para o ano de 2025 e vermos que poucas mulheres foram indicadas e menos ainda ganharam um prêmio no Jabuti, o que vamos supor? Que realmente mulheres não escreveram tão bem quanto homens nessa época? Ou, quando olharmos os finalistas e ganhadores da categoria de entretenimento no Jabuti, vamos supor que boas fantasias e ficções científicas não foram publicadas nesse ano? O brasileiro não sabe escrever magia? Não é inteligente para escrever sobre um futuro distante? Eu tenho as minhas respostas para essas perguntas, e gostaria que você pensasse um pouco sobre elas antes de tentar oferecer uma. Nós carregamos muito mais preconceito literário e intelectual do que imaginamos, e perceber isso não é um processo simples.

Não à toa surgiram, e ainda surgem, iniciativas específicas. Por exemplo, o prêmio Loba exclusivo para mulheres. Os prêmios Argos, Odisseia e Le Blanc para a ficção especulativa como um todo. O Prêmio Sesc visa publicar livros inéditos para lançar autores estreantes. Acredite, há mais prêmios literários no Brasil do que supõe nossa vã filosofia. E isso é ótimo, ainda que seja subaproveitado. Sendo bastante realista, nunca vamos conseguir registrar tudo de maior valor que foi escrito e publicado todos os anos, mas fico feliz que tem muita gente tentando.

Não sei bem o que fazer com Garras ganhador do Argos porque eu não esperava que ele ganhasse nada, e não é falsa modéstia. É um olhar para o histórico do mercado e das premiações que traz uma constatação que qualquer pessoa pode fazer: romance não ganha prêmio, não desse tipo, desses escritos pensando nos suspiros e no remexer dos dedinhos. E não digo isso diminuindo meu livro, não acho que o universo e a história sejam fracos e sejam elementos menores que o fator romântico do enredo. Uma vez eu falei entre amigas que eu tinha escrito um romancinho gostoso, e vieram gentilmente tentar me consolar e falar que eu tinha escrito muito mais do que isso. A intenção foi boa, mas o consolo era desnecessário, porque não considero ser um romancinho um demérito. Escrevi uma história específica para um público específico, sempre achei que se esse público abraçasse o livro (e abraçou demais) eu atingiria o meu objetivo e esse seria o teto do alcance — porque romancinho de suspirar não ganha prêmio, romancinho de suspirar não costuma ser lido por gente de fora de seu público-alvo. O amor romântico com final feliz não é considerado digno o suficiente para ser um livro universal, um livro para ser lido por todos. O amor romântico com final feliz e elementos fantásticos menos ainda.

Bom, a vida me provou errada. Garras não apenas fez essa aparição num prêmio relevante para o gênero da fantasia, como alcançou leitores que eu não esperava alcançar. Mas a verdade verdadeira é que foram as leitoras de romantasia e romance que deram o prêmio para o livro. O Argos tem uma etapa de votação popular, um voto permitido por pessoa e… cá estamos nós. Suspirando, remexendo os dedinhos e dialogando com o lado mais sério da ficção especulativa. Sempre soube que Garras é o que é graças aos leitores que esbarraram nele e se apaixonaram, e toda hora tenho mais evidências do quão longe essas pessoas conseguem fazer um livro chegar.

O que me leva ao último trecho dessa reflexão confusa e emocionada, abastecida a chocotone e cheirinho de neném enquanto escrevo essa newsletter toda no celular porque minha filha está dormindo em cima de mim.

Recentemente tenho interagido bastante com clubes de leitura, e que força da natureza são esses espaços. Não à toa, o Prêmio Argos é organizado pelo Clube de Leitores de Ficção Científica, fundado em 1985. Pessoas reunidas ao redor de histórias são capazes de feitos que perduram. Gente reunida pra falar de livros, discutir histórias, recomendar, brincar, viver. A literatura pode mesmo salvar a vida das pessoas, e é muito refrescante vê-las em troca salvando os livros, mantendo livrarias cheias e autores requisitados, celebrando a produção nacional.


Esse começo de vida de Garras, e Feras está indo junto na esteira, deve muito aos clubes de leitura. E não apenas o CLFC pela organização do Argos. O Clube Oxe Leitor fez uma leitura coletiva de Garras e fez uma festa temática dos anos 1920, algumas pessoas se vestiram como Diana. O Clube Cheiro de Livro me convidou para um bate-papo com as editoras Rafaella Machado e Frini Georgakapoulos, e fui inundada por perguntas interessantes por parte de leitores. O Clube do Livrotril me chamou pra falar de Garras e Feras e me inseriu nas brincadeiras e fiquei encantada em como as pessoas sabiam tudo de tudo quanto é tipo de livro. O Clube das Tagarelas me fez algumas das perguntas mais interessantes que já recebi sobre o livro num bate-papo virtual com elas sobre Garras. E fora outros clubes que com certeza estou cometendo a injustiça de não lembrar agora (perdoem a cabecinha de mãe em formação). Todos esses me trouxeram novos leitores, muitos que eram certamente o meu público-alvo e muitos outros que eu não pensei que poderiam ser.


As histórias têm dessas magias. Nem todo livro é pra todo mundo, mas todo mundo é capaz de tirar alguma coisa de um livro se ler com atenção. Não existe literatura inferior, não existe um caminho hierárquico a ser seguido quando se trata de livros (embora algumas pessoas possam tentar te convencer disso).


E onde entra a figura do autor nisso tudo?


A bem da verdade é que a maioria de nós está exausta, não deixe os filtros bonitos do Instagram enganarem você. Os independentes estão se matando de escrever e divulgar, os publicados tradicionalmente também. Todos precisam pagar as contas e jogar um jogo que não é nada justo nas redes sociais, para no final das contas sermos as pessoas que são menos remuneradas na cadeia do livro. Existem autores que vivem de livro, no Brasil? Não vou mentir, sim, mas não do jeito que você está pensando. Com a exceção de poucos autores do setor literário (os livros considerados mais sérios), que ganham o suficiente em direitos autorais vindos de vendas expressivas, os autores brasileiros que vivem de livros ou tem múltiplos trabalhos relacionados a livros (são tradutores, preparadores, revisores, professores de escrita, leitores críticos) ou estão no mercado independente escrevendo e publicando muitos livros por ano para conseguirem manter uma renda. E é curioso que numa época em que as redes sociais mostram tanto da vida das pessoas, os leitores em geral não sabem disso. Não sabem porque não falamos? Ou porque essas conversas não chegam em vocês? Talvez porque a figura do autor tenha se confundido com a do influenciador e a natureza performática das redes sociais não deixe espaço para qualquer imagem de pouco instagramavel? E veja bem, hoje tudo pode ser instagramavel, até a tristeza e a desgraça podem ser revertidas em likes e viralizar. É a realidade que perde espaço, o equilíbrio de dias bons e ruins, a introversão, a exaustão, a timidez, a esquisitice pura tão natural a tantos artistas… E não é que eu acredite que as pessoas não tenham interesse no que pensam e dizem seus escritores favoritos, acho que está mais para as pessoas não esperam que esses escritores sejam de carne e osso. Elas querem um feed bonito, querem posts regulares, insights sobre a vida pessoal porém não real, dicas, citações, uma mesa de trabalho instigante, rituais de escrita interessantes e a comunicação diária - elas esperam que na era da influência todo artista seja também influencer, mas a vida não funciona dessa forma. Tem muitos autores que lidam muito bem com essa quase exigência da carreira e têm os seguidores pra provar. Outros gostariam de estar nas redes só pra ver e postar foto de bichinho, outros nem isso. E aí, de repente, no meio do jogo das redes, aquela pessoa cujo cérebro singular criou algo que você gostou ou gostaria muito de ler, se torna irrelevante e facilmente esquecido e não há prêmio literário que dê jeito nisso.

A fronteira seguinte, é claro, é substituir um autor humano por uma máquina. Se as pessoas não se interessam por autores, por que se interessariam pelo que escrevem? Isso pode parecer um paradoxo exagerado, mas tem um bocado de gente que consideraria muito conveniente se livrar da figura do autor. Uma pessoa a menos na produção de um livro, um custo a menos, um problema a menos… Isso já está acontecendo com ilustradores, designers, na música. A escrita não está imune ao avanço faminto do uso da inteligência artificial.


Nesse contexto, os clubes de livro e sociedades literárias podem muito bem ser o refúgio não necessariamente da figura do autor, mas da própria literatura. Em cada reunião de clube, ocorre uma conversa horizontal em tempo real. Não é uma única opinião registrada em vídeo e transmitida de forma assíncrona para milhares de pessoas enquanto o vídeo permanecer no ar, são opiniões diversas surgidas a partir da leitura conjunta e então transformadas a partir das trocas em torno dela.

Nos clubes de leitura enxergo um lugar em que as pessoas querem conversar e trocar com outros leitores e também autores, querem uma experiência genuinamente humana que é única da mesma forma que toda conversa não-roteirizada para um vídeo de rede social é única. Nos clubes enxergo um espaço seguro para leitores falarem abertamente o que pensaram das histórias sem medo da reação de fandoms, e também sem expectativa nenhuma de se tornarem eles próprios influencers.

(E, veja bem, isso não é um ataque aos influencers literários. Hoje cumprem um papel muito importante no ecossistema literário nacional, principalmente no nicho de livros de entretenimento. Muitos deles, grandes e pequenos, também abraçaram Garras e ajudaram demais a espalhar a palavra do livro — sou muito grata a essas pessoas. Brenda do Leituras da Breh, Gabi do Creme e Castigo, Íris do Divulga Nacional, Denys e Diana do Sem Spoiler, Ana do Ana está lendo, Apolo do Leitor Albino, Geovana Lopes, Ray, Cartografia Literária, Sociedade Literária, Portal da Romantasia… acho que não dou conta de lembrar de cabeça agora os tantos perfis que ajudaram muito meus livros, e desde antes de Garras! Essa reflexão é sobre a era da influência como um todo e os efeitos que ela tem sobre todos nós, inclusive os próprios influencers que ganham a vida em cima de falar de livros na internet. Quem é da bolha literária acompanhou os casos de misoginia e racismo ao redor do engajamento de ódio, uma ferramenta usada de forma irresponsável por influencers grandes. Essa é outra conversa, mas acredito que mais cedo ou mais tarde será necessário regulamentar essa nova profissão de formadores de opinião, que pode ser tão benéfica e tão nociva para o público, e não apenas o literário.)


Toda história tem um ciclo que é: nasce em forma de ideia, passa por um processo de adequação ao ser transformada em palavras e mais tarde editada, e então no leitor ela finalmente transcende. Um único livro ganha mil vidas diferentes nas mãos de mil leitores, cada pessoa faz as próprias interpretações e conexões que muitas vezes nem foram a intenção do autor.
O marketing vende livros, é verdade, e hoje em dia o marketing das redes sociais se faz majoritariamente através de influencers (terceiros ou o próprio autor). Estou tendo que fazer as pazes com isso e aprender a correr atrás dessa habilidade que não me é natural (não deixe o filtro bonito do instagram enganar você). Mas leitores espalham histórias, leitores recomendam livros, presenteiam, perturbam os amigos até que leiam aquele livro favorito descoberto por acaso, resenham, falam dele até pra quem não quer ouvir… elegem como o melhor livro na categoria romance de um prêmio literário :)

Se me preocupa hoje a relevância do autor, me preocupa mais ainda a relevância do leitor. No final das contas, é a voz do leitor que vai determinar se no futuro apenas histórias cuspidas por máquinas serão publicadas ou não. É a voz do leitor que faz as melhores perguntas e compartilha as melhores experiências com um livro. Enquanto leitores puderem se reunir e conversar, acho que autores humanos ainda estarão sob demanda.


Como eu disse lá em cima, não sei fingir costume. Não sei bem como eu cheguei até aqui, mas sei que não teria chegado sem os leitores. Os que me conheceram lá trás com Marea Infinitus, os que chegaram com Garras e Feras, os que me deram uma chance sem esperar muita coisa, os que chegaram já com altas expectativas e se juntaram ao grupo de amantes de lobisomens vira-lata, os que ainda vão chegar. Então, tudo isso pra dizer: obrigada! Eu era escritora antes de começar a publicar minhas histórias, mas acho que hoje sou uma escritora melhor porque a interação com leitores me faz melhor, me alimenta e nutre as ideias.


Aproveitando o momento dos agradecimentos, vou agradecer de novo minha editora Beatriz Oliveira, da Rocco. Ela apostou em mim e trabalhou pela melhor versão possível de Garras e Feras e mal posso esperar para trabalhar o próximo livro com ela de novo! Preparadores, revisores, e toda a equipe da Rocco trabalharam demais pro livro chegar todo cheiroso na mão das pessoas que o transformaram no que é hoje: os leitores.

Novidades

Livros e cena extra de Garras

O ano que vem traz coisas, com certeza, mas ainda não posso falar sobre nenhuma delas! Tem livro? Tem! Mas, em 2026 minhas histórias vão dar um pulo em outros universos.

Para fins de transparência, preciso avisar que não é o livro do Guido (ainda). Estou trabalhando para termos mais um livro dos Lobos de Averrio, mas ainda não posso fazer promessas porque não depende (só) de mim. Se tivermos um livro do Guido, ele só viria em 2027. O que na verdade, é bom. Tem muita gente ainda descobrindo Garras, e que dirá Feras. Essas dois livros já lançados precisam de tempo pra circular e respirar. Se você quer o livro do terceiro irmão, pode ajudar sempre falando dos dois primeiros nas redes sociais, marcando sempre a editora Rocco e eu, pode ajudar dando os livros de presente, lendo no Kindle Unlimited.... O nascimento da história de Guido se beneficiaria muito do bom desempenho das histórias de Edgar e Heitor.

Dito isso, eu tinha feito uma promessa! Se Garras ganhasse o prêmio Argos, eu liberaria uma cena que foi deletada no processo de edição! Do manuscrito original para o que foi publicado, muitas cenas foram cortadas por motivos diversos. Eu vou trazer pra vocês uma cena que ocorre logo em seguida após a primeira lua cheia, quando Edgar sai da casa da Diana depois da visita surpresa...

Como vou fazer isso? Via newsletter! Então, é só ficar de olho por aqui que na primeira metade de janeiro a cena deletada vai chegar para todos os assinantes de Luas e Marés.

Participações especiais? Ou talvez, espaciais…

Em outras editorias, eu estou com um projetinho para essa newsletter ainda para o começo do ano. Eu vou falar mais dele em janeiro, mas saibam que eu andei entrevistando autoras nacionais sobre um tópico que me mordeu e que eu gostaria de ver ser expandido em debate: as mulheres se sentem mais confortáveis na fantasia do que na ficção científica? Se você tem uma resposta, não precisa me responder agora, sugiro esperar pra ver o que tantas autoras comentaram.

A maré trouxe...

  • Recentemente vi a série da Netflix “Os donos do jogo”, acompanhando a escalada de um jovem bicheiro ao topo da cúpula. A série claramente tem muita inspiração em fatos reais, e quem viu “Vale o escrito”, série documental sobre o jogo do bicho, vai identificar logo de cara. Mas estou vindo indicar mesmo porque tem tudo a ver com Feras! Mesmo clima de traição e ascenção, as mulheres comendo pelas beiradas tentando garantir o que é delas… Leitores de Feras vão gostar dessa série, e vice-versa.

  • Nesse final de ano tenho lido várias coisas de forma picada (por causa do neném em cima de mim), mas tempo desses terminei “A Sociedade de Preservação dos Kaiju” de John Scalzi, publicado pela Aleph aqui no Brasil. Uma ficção científica bem humorada e afiada sobre proteger criaturas como o godzila numa realidade paralela bem ao lado da nossa, e junto delas proteger também a nossa própria realidade. Qualquer semelhança com a necessidade de preservar nossos próprios ecossistemas terrestres não é mera coincidência. Eu li bem rápido, o que significa muito nesses tempos de licença maternidade.

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